Google incrementa aluguéis de escritórios nos EUA

Google: empresa assinou os maiores aluguéis do ano no Vale do Silício e em San Francisco, na Califórnia, e fez um acordo para quadruplicar seu espaço em Chicago
 (Reuters/)

San Francisco – A Google Inc., dona do motor de busca mais popular do mundo, também domina no fechamento de acordos imobiliários. A companhia está expandindo seu espaço para escritórios enquanto a demanda nacional dos inquilinos mais tradicionais diminui.

Google assinou os maiores aluguéis do ano no Vale do Silício e em San Francisco, na Califórnia, e fez um acordo para quadruplicar seu espaço em Chicago, conforme a corretora Cushman Wakefield Inc. Um acordo pendente em Manhattan por cerca de 33 mil metros quadrados seria o maior em Midtown South, a área onde a Google adquiriu um terminal de carga reformado por quase US$ 1,84 bilhões há quase três anos.

“A Google é um motor enorme em qualquer outro lugar, e somos muito gratos por que ela esteja no nosso mundo”, afirma Bob Chodos, diretor da corretagem Colliers International em Chicago, onde os recentes aluguéis expandiram o espaço total do colosso tecnológico na cidade para 75 mil metros quadrados. “Companhias como essa trazem outras e criam lugares onde as pessoas desejam fazer negócios”.

Com o preço de suas ações ultrapassando US$ 1.000, a Google, sediada em Mountain View, Califórnia, está abrindo as portas para as companhias tecnológicas em crescimento, que estão fechando alguns dos maiores acordos de aluguéis ao passo que empresas financeiras e outras indústrias que usam escritórios recuam. O aumento no aluguel de escritórios nos EUA desaqueceu por três trimestres consecutivos, segundo dados da Reis Inc.

As áreas que atraem e retêm companhias inovadoras – como o Vale do Silício, Boston, San Francisco e Seattle – estão desafiando essa desaceleração. Nesses lugares, os aluguéis estão 12 por cento acima da média americana, conforme a Jones Lang LaSalle Inc. Metade dos 2,1 milhões de metros quadrados de projetos de escritório em andamento serão ocupados por companhias tecnológicas, uma demanda imensa para uma indústria que emprega apenas 3,3 por cento do setor privado, afirmou a corretora em um relatório publicado em agosto.

‘Decisões estratégicas’

A Google, cujo sistema operativo Android opera mais de um bilhão de dispositivos móveis, está sendo “muito esperta, tomando decisões cautelosas e estratégicas baseadas no seu crescimento previsto, em uma época em que não temos muita oferta nova”, disse Maria Sicola, diretora de pesquisa no continente americano para a Cushman Wakefield, em entrevista desde San Francisco. “Esperamos que o mercado de escritórios em geral se endureça daqui a entre 12 e 24 meses”.

Neste ano, a Google adquiriu 32 mil metros quadrados em San Francisco para expandir seu arrendamento em Hills Plaza, 82.500 no Vale do Silício próximo à sua sede em Mountain View e 21.260 em Chicago, segundo a Cushman. A expansão de um centro para os engenheiros que trabalham no navegador Chrome da companhia quase dobrará o espaço da empresa perto de Seattle, conforme dados da Cushman.

“Quando a Google afirma ‘eu quero estar aqui’, esse lugar é respaldado”, afirmou David Postman, secretário de imprensa do governador do estado de Washington, Jay Inslee. “A indústria de alta tecnologia muda todos os dias, e tudo se reduz em estar na vanguarda”.

Midtown South

Em Nova York, a Google possui um acordo tentativo pelo prédio da Related Cos. no número 85 na Décima Avenida em Chelsea, conforme uma fonte do setor. Joanna Rose, porta-voz da Related, sediada em Nova York, não quis fazer comentários.

O edifício fica no mesmo bairro onde a Google adquiriu o prédio do número 111 da Oitava Avenida em dezembro de 2010. Esse acordo desencadeou uma série de vendas e aluguéis por companhias tecnológicas em Midtown South, atualmente o melhor submercado da cidade em crescimento dos aluguéis. A taxa de desocupação no terceiro trimestre, de 7,6 por cento, foi a menor dos distritos comerciais americanos, segundo dados da Cushman Wakefield.

“Sem dúvida é a parte mais saudável de Manhattan, com muito atrativo para companhias tecnológicas e criativas”, disse Jed Reagan, analista da Green Street Advisors Inc. em uma entrevista.