Temer descarta risco de uma bolha imobiliária no Brasil

Em sua visita a Portugal, Temer se reuniu com o primeiro-ministro, o conservador Pedro Passos Coelho

Por Da Redação

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7 out 2013, 17h18

Michel Temer: vice-presidente afirmou que protestos “não assustaram” o governo, mas intensificaram as medidas para impulsionar a ascensão social
 (Wilson Dias/ABr/)

Lisboa – O vice-presidente Michel Temer afirmou nesta segunda-feira que o país não enfrenta o risco de uma bolha imobiliária apesar da alta dos preços no mercado brasileiro, durante visita oficial a Portugal.

Temer considerou que o bom desempenho econômico do Brasil diminui o impacto possível desse cenário, apesar de alguns analistas alertarem sobre a alta da especulação no mercado imobiliário como consequência da organização dos Jogos Olímpicos em 2016 e da Copa do Mundo em 2014.

“Não há risco de bolha imobiliária”, afirmou, antes de acompanhar o lançamento de um livro comemorativo sobre um ano de promoção cultural entre Portugal e Brasil.

Em lugar de riscos, há sintomas positivos na economia, como uma baixa taxa de desemprego, “próxima ao pleno emprego”, que ficou em agosto em 5,3%, e uma inflação de 5,8 % para este ano, dois décimos a menos que o previsto para junho.

“Como vai haver problema na economia se o desemprego está diminuindo? Temos as preocupações naturais de manter um bom governo no que se refere à economia”, defendeu.

Segundo os últimos dados do Banco Central, a economia crescerá 2,5% este ano, dois décimos a menos que a estimativa de junho.

Como parte de sua visita a Portugal, Temer se reuniu com o primeiro-ministro, o conservador Pedro Passos Coelho. Eles conversaram sobre o processo de privatizações de empresas públicas.

Portugal tem pendente a venda da companhia pública CTT Correios e a companhia aérea TAP, entre outros projetos, como parte dos compromissos do programa do resgate da UE e o Fundo Monetário Internacional (FMI), concedido em 2011.

Temer afirmou que os Correios estão interessados na aquisição da portuguesa e é “muito provável” que empresas aéreas e fundos brasileiros entrem na concorrência pela TAP quando o processo for reaberto.

O governo português paralisou esta operação ao rejeitar no fim de 2012 a venda da companhia aérea ao magnata brasileiro-colombiano German Efromovich, proprietário da colombiana Avianca e das equatorianas VIP e Aeroga.

Também as brasileiras Eletrobras e Cemig mostraram interesse em participar do capital das estatais portuguesas de energia EDP e REN, também sem resultados.

Temer assegurou que as empresas brasileiras têm interesse nos processos de privatização e continua havendo “uma grande interação” entre Brasil e Portugal nesse sentido.

Como exemplo, citou a venda da rede de hospitais portugueses, HPP Saúde, ao grupo brasileiro Amil por 85,6 milhões de euros em março deste ano.

O vice-presidente se referiu, além disso, à onda de protestos que explodiram em junho no Brasil,afirmando que, para ele, são parte do processo histórico de democratização do país.

Os brasileiros exigem “uma democracia da eficiência” que seja refletida em melhores serviços públicos e em uma atuação política “eticamente incontestável”.

Para Temer os protestos “não assustaram” o governo, mas intensificaram as medidas para impulsionar a ascensão social e os pactos em áreas como mobilidade urbana, educação e saúde.